13/05/2002
I FESTIVAL DO MEXILHÃO DE CABO FRIO

 

Com o apoio do SEBRAE/RJ através da Agência de Desenvolvimento Regional da Baixada Litorânea e da Prefeitura Municipal de Cabo Frio / Sub Prefeitura do Peró, a AMAR - Associação de Maricultores de Cabo Frio realiza o I FESTIVAL DO MEXILHÃO. O evento, que tem como finalidade divulgar a implantação da primeira Fazenda Marinha do Município (localizada na praia do Peró), acontecerá na Praça do Moinho nos dias 31/05 e 01/06. Os participantes poderão apreciar diversos pratos feitos com os mexilhões, acompanhados de atrações culturais e musicais e, ainda, apreciar o artesanato local.

Acreditando no potencial da Região dos Lagos, a AMAR, desde a fundação em abril do ano passado, vem recebendo do SEBRAE toda a assessoria técnica e jurídica necessária à viabilização do projeto de maricultura. Durante este período diversos cursos foram aplicados em parceria com o IED-BIG (Instituto de Eco Desenvolvimento da Baía da Ilha Grande), mostrando a biologia em ambiente natural, métodos de cultivo, lavricultura, crescimento, engorda, reprodução, manejo e comercialização do coquiles, principais características das espécies, confecção de coletores e cordas mexilhoneiras, situação de mercado, enfim, toda a tecnologia necessária à criação de ostras e mexilhões.

A maricultura é uma alternativa atraente de realização de lucros, extraindo riquezas do fundo do mar sem causar danos ao meio ambiente. Pesquisam mostram que a pesca extrativista vem sofrendo declínio em todo o mundo e cresce menos de 1% ao ano, enquanto a aqüicultura apresenta um crescimento de 14% ao ano. Para se ter uma idéia, hoje o cultivo de mexilhão é um dos principais pilares da economia do Chile. Aqui, o cultivo de moluscos bivalves é a atividade beneficiada, devido à grande demanda, o fácil acesso à tecnologia e a possibilidade de adaptação de espécies nativas ao cultivo.

Em fevereiro foi assinado convênio com o SEBRAE e a Fundação Banco do Brasil que, através de parceria com o Ministério do Trabalho e Renda, repassou cerca de R$ 95 mil a AMAR, destinados à criação de FAZENDAS MARINHAS. Mas ainda há muito o que fazer, sobretudo vislumbrando-se tornar a Região dos Lagos um pólo estadual de maricultura. Para este ano o SEBRAE/RJ está agendando cursos que vão desde o manejo e beneficiamento à capacitação gerencial (marketing, administração, comercialização, etc. ).

A vieira - ou coquille de Saint-Jacques - existente no Brasil é do tipo Nodipecten nododos, conhecido por "pata-de-leão". Para sua cultura as fazendas marinhas recebem filhotes reproduzidos em laboratório e o primeiro passo consiste em separar as conchas com mais de 12 centímetros, induzindo a desova por meio de choque de temperatura. Diariamente a água dos tanques é tratada e as larvas são alimentadas com fitoplâncton. Cada concha gera 10 milhões de larvas microscópicas. O ciclo leva 15 dias e somente 2% das larvas sobrevivem. Após um mês, quando medem cerca de 0,5 milímetro, são levadas para o mar em "lanternas japonesas", gaiolas cilíndricas revestidas com rede azul de polipropileno. As lanternas são presas a cordas suspensas por bóias, ficando submersas a cerca de 3 metros de profundidade onde a água é mais fria e apropriada para o crescimento do molusco. Após um ano as vieiras atingem o tamanho ideal de venda, de cerca de 6 centímetros. Se se destinarem, porém, à exportação, devem ficar com 8 centímetros. Durante o período de crescimento fazem diversas desovas espontâneas e, com isso, gerando o repovoamento natural da região.

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