José de
Souza Soares
O
Condado de Maricá também viveu sua folia momesca, com tudo que
uma festa desta natureza tem de engraçado. Nós fugimos do tradicional
e partimos para o mundo do faz de contas, tendo assim mais liberdade
de criação. Logo nossa agremiação foi uma das mais criativas da
cidade, com toda certeza. Inclusive usando bem os recursos próprios
da região.
Por
não contarmos com o apoio do Poder Público,
partimos para o que tinha de melhor da natureza. Os mosquitos
Aedes Aegypti formaram a Ala A Picada Maldita;
os ratos a ala Os Roedores Livres e Desimpedidos;
as cobras a ala As Venenosas do bairro;
a bateria ficou a
cargo dos sapos martelo dos brejos cheios, com a colaboração das
rãs e das pererecas
soltas; o samba enredo sob o tema: NÓS, OS ESQUECIDOS PELO PODER PÚBLICO,
foi puxado pelos famosos Galos do Condado,
com a colaboração dos canários e dos bem-te-vis do pedaço; e as
alegorias foram confeccionadas com o capim navalha
que existe em abundancia aqui.
Só não contamos com uma boa comunicação, porque, como sempre
acontece, a Telemar não compareceu com sua tradicional ala Os Que Nem Sempre Falam,
o que prejudicou um pouco nossa festa. A iluminação da nossa passarela
foi precária porque a CERJ, não se interessa muito por carnaval,
pois está mais pra Julio
Iglesias do que pra Neguinho
da Beija-Flor, pouco se
importando com folia de seus usuários. E o nosso sambódromo ecológico
ficou quase na penumbra...
Mas,
parodiando aqui o saudoso compositor Adoniran Barbosa:num tem portança não,
nós se virou e revolveu o pobrema. Nossa agremiação
desfilou bem recebendo do povo os aplausos merecidos. Ano que
vem nós estaremos aqui novamente.