20/03/2002
Recebido de Sergio Mesquita - mesquita@redebrasil.tv.br
Não queremos morrer !


FALA SÉRGIO MESQUITA VI

O hábito da leitura é realmente fantástico. Às vezes, um simples folhear de um livro, ou alguns papéis soltos e... você depara-se com alguma preciosidade. Um texto que o toca, o emociona ou faz com que você passe a reparar no mundo a sua volta.
Os poetas são os grandes mestres nesta arte, e o texto que segue e nos inspirou, é do grande Pablo Neruda. Poeta chileno e mais um entre os muitos Homens perseguidos pelas ditaduras latino-americanas. O texto além de atual é verdadeiro e, claro, lindo.
Após a leitura, tente transportá-lo para a nossa realidade de vida em Maricá.

-------------
Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e
não fala com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere
o negro ao invés do branco e os pingos nos iis a um
redemoinho de emoções, exatamente a que resgata o
brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração aos
tropeços.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo
incerto, para ir atrás de um sonho.

Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma
vez na vida, ouvir conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte, ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem
não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de
iniciá-lo, nunca pergunta sobre um assunto que
desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre
algo que sabe.

Evitemos a morte em suaves porções, recordando
sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o
simples ar que respiramos.

Somente com infinita paciência conseguiremos a
verdadeira felicidade.


Não é necessário muito esforço para descobrirmos que estamos morrendo aos pouco.
Não mudamos nossos hábitos, nossos votos e preconceitos. Não arriscamos o novo, não tentamos transformar a nossa realidade e, temos medo de sermos felizes.
Há quanto tempo temos nossas vidas dirigidas pelos mesmos políticos em Marica? O governo de "cara nova" é nosso mais recente exemplo de continuidade política e desmandos. Trocamos a cada eleição seis por meia dúzia, e a cada novo governo as histórias se repetem. Carros importados, fazendas, apartamentos duplex e casas de veraneios em balneários turísticos, além das mesmas práticas políticas de empulhação do povo.
É claro que o texto não trata da política institucional, mas também dela. Neruda nos chama a atenção para as pequenas atitudes, que tomadas ou não no dia a dia, somadas nos deixam a cada momento mais mortos do que vivos. Doentes a espera do fim.
Agora é reler o texto e deixarmos de sermos os pacientes passivos que nos transformamos e começarmos a ser os agentes ativos da transformação de nossa vida e sociedade. Um abraço e boa releitura.

Sérgio Mesquita