|
As
ÚLTIMAS CHUVAS DA ESTAÇÃO, texto teatral de Edvard Vasconcellos
& Cléia Tomaz, foi um dos sete selecionados no Concurso de Textos
Teatrais Inéditos, promovido pela editora Cartaz em parceria com
a delegacia regional de Araruama do Sated/RJ. No segundo final de
semana de junho, haverá uma leitura dramatizada da peça no Teatro
Municipal de Araruama, com os próprios autores.
»»»»»»»»»»»»Artigo»»»»»»»»»»»
A QUESTÃO DA FÉ
A religião é a mais fantástica tentativa humana de
transubstanciar a natureza. É curioso que ninguém
esteja disposto a morrer por qualquer verdade
científica. Que diferença faz se o sol gira em torno
da Terra? As verdades científicas se referem aos
objetos indiferentes a vida e a morte. Quando tocamos
nos símbolos em que nos dependuramos, ocorre a
experiência do sagrado, entramos no mundo das coisas
invisíveis, coisas que somente os olhos da fé podem
contemplar.
Durante a Idade
Média, as duas vertentes
simbólico-religiosas mais importantes se fundiram. As
tradições culturais dos hebreus-cristãos juntaram-se a
dos greco-romanos. Nesse período os símbolos do
sagrado adquiriram uma densidade, uma concretude, uma
onipresença que faziam com que o mundo invisível
estivesse mais próximo e fosse mais sentido que as
próprias realidades materiais.
Nada acontecia se
não fosse pelo poder do sagrado.
Todas as coisas tinham seus lugares apropriados, numa
ordem hierárquica de valores. Tudo girava em torno de
um núcleo central: a salvação. O universo inteiro era
compreendido como algo dotado de um sentido humano. E
é justamente aí que se encontra o seu caráter
essencialmente religioso.
Foi ao longo da
Idade Média se formando uma idéia de
civilização totalmente baseada em um mundo fantasioso,
mas que teve a fascinante capacidade de ter
sobrevivido até os nossos tempos, porque o julgamento
humano é que dentro dessa fantasia existe algo de
sólido, tão sólido que nesse mesmo mundo os homens
construíram cidades, fizeram música, escreveram
livros, ergueram catedrais. Poderia se dizer que a fé
é essa capacidade humana de, a partir de uma fantasia
construir teias fortes o suficiente para que nelas o
próprio homem se abrigue.
Esta discussão está
inserida no texto AS ÚLTIMAS CHUVAS DA ESTAÇÃO, cuja a leitura dramatizada
acontecerá no segundo final de semana de junho de 2002, no
Teatro Municipal de Araruama. O texto foi um dos sete selecionados
no Concurso de Textos Teatrais Inéditos, realizado pela Editora
Cartaz/Sated.
|