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----- Original Message -----
Sent: Tuesday, June 25, 2002 6:08 PM
Subject: O governo cubano me proíbe
de conhecer meu filho
De: Dr. Juan López Linares, pós-doutorando, Inst. de Física, Unicamp
(SP) mailto:jlopezlinares@hotmail.com
Ref.: Quero conhecer meu filho Juan Paolo,
de mais de 3 anos, beijá-lo e abraçá-lo pela primeira vez, mas o
governo cubano me proíbe.
Para: Colegas universitários, autoridades civis, religiosas, políticas
e sindicais, entidades de direitos humanos, brasileiros e brasileiras
de boa vontade e irmãos ibero-americanos
Caros amigos,
1.- Meu nome é Juan López Linares. Nasci na Ilha da Juventude, ao
sudeste da ilha de Cuba, há 31 anos.
Sou doutor em Física pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
e faço atualmente um pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), ambas no estado de São Paulo.
Tenho em Cuba um filho de mais de 3 anos, Juan Paolo López Fiallo,
a quem não conheço pois o governo cubano me impede.
2.- Essa separação é o mais cruel "castigo" que podem fazer a um
pai. E sou considerado pelo governo cubano um "desertor" e até "traidor"
pelo simples fato de ter optado por estudar neste grande e acolhedor
Brasil, no qual duas e conceituadas universidades, e a Fapesp (órgão
brasileiro de amparo às pesquisas cientificas), me têm dado generosamente
a possibilidade de um maior desenvolvimento profissional.
3.- Em 2000, 2001 e 2002 fiz todos os trâmites possíveis e imagináveis
diante das autoridades consulares cubanas no Brasil, para poder
voltar temporariamente a Cuba, pagando inclusive, onerosas taxas
no consulado de Cuba em São Paulo. Possuo, e ponho à disposição
dos interessados, a documentação pertinente.
Mas essa autorização de entrada a Cuba foi negada, sempre verbalmente,
sem ter recebido qualquer documento escrito que justificasse os
motivos dessas negativas.
Esgotados todos os recursos consulares a meu alcance, essa situação
me leva a não mais poder manter esse caso no plano estritamente
particular, como eu teria desejado, mas a apresentá-lo ao conhecimento
público.
Na 3a. feira 4 de junho pp. um funcionário não identificado do consulado
de Cuba em São Paulo (tel. 11- 3873 4537), ao ser interrogado por
um jornalista do "Correio Popular", de Campinas, deu o caso por
"encerrado", acrescentando que "não daria entrevistas sobre o assunto".
4.- Como poderia meu dilacerado coração de pai, aceitar que essa
injustiça flagrante seja um "caso encerrado"? Por ventura poderia
essa declaração tirar meu inviolável direito de conhecer meu filho,
e de entrar e sair livremente de meu pais de origem? Penso que nenhum
pai e nenhuma mãe se resignariam diante de tamanha injustiça.
Não é o atual governo cubano, nem o "diktat" de nenhum funcionário
consular cubano, que poderá extirpar esse sagrado direito.
5.- Cuba é o único pais do Hemisfério que proíbe a seus cidadãos
entrar e sair livremente de sua própria Pátria. A Constituição cubana
de 1940, como hoje o fazem a maioria das Constituições do mundo,
tinha um artigo que garantia esse direito de ir e de vir. Mas a
atual Constituição cubana o eliminou completamente. Esse direito
não existe atualmente para os cubanos.
Fica configurada uma situação incompreensível, que não é humana,
e que vai muito além de meu drama pessoal, pois é um drama que afeta
a milhões de meus compatriotas.
Sim, é uma situação incompreensível, que viola frontalmente o art.
13 (2) da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que expressa
"toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o
próprio, e a este regressar".
Qualquer brasileiro e qualquer cidadão das Américas, tem a possibilidade,
com a maior naturalidade, quase que com a mesma facilidade de respirar,
de sair e entrar livremente de seu país, quando puder ou quando
o desejar e sem ter que dar explicações ao seu governo.
Pois é de direito natural e de senso comum que cada pessoa possa
atravessar livremente as fronteiras de seu próprio país. Do contrário,
se sentiria propriamente como se estivesse num cárcere. No caso
de meus irmãos cubanos, é propriamente, pelo menos sob esse aspecto
fundamental, e sem entrar em outros, como se estivessem num cárcere,
uma literal ilha-cárcere.
(O ponto que segue é muito importante)
6.- O que desejo em concreto? E o que é que meu coração de pai e
de cubano quer de vocês? Como vocês poderiam me ajudar?
O que desejo para mim, de maneira concreta e específica, é que as
autoridades cubanas me permitam ingressar temporariamente em Cuba,
garantindo meu direito de retornar ao Brasil.
O que desejo de vocês todos é, em primeiro lugar, vossa compreensão
e atenção para este drama familiar. Também, que vocês, com suas
relações e seus contatos, façam gestões diante das autoridades civis,
mais especificamente diante do Itamaraty; diante dos meios de comunicação,
para que tornem estes fatos conhecidos no Brasil e no mundo inteiro;
diante das autoridades religiosas e dos líderes políticos e sociais,
e de entidades de direitos humanos, para que eles não permaneçam
indiferentes; e diante da embaixada de Cuba, e seu consulado em
São Paulo, para que eles concedam essa autorização que solicito.
7.- Gostaria de manifestar finalmente que este esforço seria, a
meu ver, razoável ainda que para remediar uma única injustiça, a
de um único pai ou uma única mãe no mundo que estivessem separados
forçadamente de seus filhos. Mas, como disse, é um serio problema
que divide, dilacera e desgarra a incontáveis famílias cubanas.
Agradeço antecipadamente a todos os que, com gestões, com palavras,
com escritos estejam dispostos a ajudar.
Da minha parte, enquanto estiver com vida e em liberdade -amparado
na Constituição brasileira que generosamente garante iguais direitos
para os cidadãos do país e para estrangeiros- não calarei até não
estreitar meu filho Juan Paolo em meus braços.
Muito obrigado pela atenção!
Postdata:
Peço antecipadamente a compreensão de vocês para um ponto de foro
intimo e para outro do plano familiar, cujo silêncio da minha parte
poderia causar estranheza, ou pelo menos, chamar a atenção.
Primeiro ponto: eu não tenho fé religiosa, sou ateu. Saber meu país
de origem, poderá ajudá-los, assim espero, a compreender esse fato.
Mas impressiona-me profundamente a religiosidade do povo brasileiro.
Por isso, agradeço também, antecipadamente, vossas orações ao Deus
no qual acreditam com tanta fé, para que a justiça seja feita.
Segundo ponto: sobre minha esposa Ileana Fiallo. Ela é a mãe de
meu filho, possui a guarda dele, me consta que faz o possível para
educá-lo e cuidá-lo da melhor maneira, e mantenho com ela as melhores
relações, mesmo estando tão longe. Mas essa longa separação, e este
é um outro cruel aspecto desse sistema de "apartheid" a que me submeteram
as atuais autoridades cubanas, foi mais um atentado contra minha
família.
IMPORTANTE:
A.- Se desejar que lhe envie meu telefone para contato, assim como
telefones, e-mails e endereços da embaixada cubana em Brasília,
do consulado cubano em São Paulo, do Ministério das Relações Exteriores
de Cuba, do Itamaraty, da Comissão Justiça e Paz da CNBB etc., por
favor, clique no link Juan:Telefones
B.- Caso você tiver possibilidade de
efetuar gestões e contatos diante de autoridades e meios de comunicação,
escrever artigos, exigir às autoridades cubanas a solução deste
problema etc., por favor, clique no link Juan:MinhaAjuda,
, se possível, narrando brevemente essas gestões.
C.- Caso lhe ocorrer sugestões, ou simplesmente desejar continuar
a receber notícias sobre o andamento deste caso, por favor, clique
no link Juan:Mantenha-MeInformado.
D.- Compreendo que este relato possa
ter deixado pontos não suficientemente claros. Neste caso, por favor,
clique no link Juan:PeçoMaisInfo,
acrescentando, se possível, os pontos que desejarem ser esclarecidos.
Receberá fotos de meu filho Juan Paolo; telefones e e-mails das
chancelarias brasileira e cubana, da embaixada cubana em Brasília
e do consulado cubano em São Paulo; "links" com as notícias publicadas
recentemente pelo "Correio Popular", de Campinas, e outras informações
sobre o caso, assim como as respostas para suas perguntas.
Grato pela sua atenção!
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