19/06/2002

 

                            NÓS, OS DESPROTEGIDOS...

 

                                                                                         José de Souza Soares

 

                            Parece que tem gente ainda  inocente neste grave momento que estamos vivendo. Ao querer justificar apenas como falta de investimento social nas comunidades carentes, o clima de guerrilha urbana que se instalou no país. Um argumento frágil que não dá para convencer ninguém. Muitos sugerem medidas que parecem partir de simples crianças distantes do cotidiano das grandes cidades. Mas, só quem vive este dia-a-dia sabe de fato da violência que tomou conta das principais cidades, e  que a realidade é bem outra.

                            Que o estado ficou ausente todo este tempo,  não temos dúvida nenhuma, mas querer nesta altura dos acontecimentos dizer que só medidas sociais poderão acabar com os tiroteios nas ruas, favelas e praças da cidade, é querer achar que todos nós somos otários e que acreditamos em Papai Noel e em Mula Sem Cabeça. Acorda moçada! Isto aqui já virou Medelim, os cartéis já estão mandando em nossas vidas. Estamos vivendo uma guerrilha urbana sem precedentes, onde ninguém sairá ileso mesmo que não tenha ligação com o tráfico de drogas. As balas perdidas estão ai a cada minuto, mostrando na realidade a força do crime organizado. Só que tem gente querendo nos convencer de que a polícia deve trocar beijinhos com os marginais ao invés de tratá-los com a força bélica que eles merecem.

                           Será que é certo, o marginal proibir que um profissional exerça a sua atividade? Que um aluno deixe de freqüentar as aulas? Que um doente seja impedido de chegar ao posto de saúde? Que a população ordeira não tenha direito ao lazer? Acho que as pessoas de bom senso não concordam com este estado de coisa que se estabeleceu nas grandes e medias cidades brasileiras.

                           A ocupação social tem que ser feita sim, mas primeiro é preciso afastar das comunidades toda essa gente perniciosa que está transformando as cidades num verdadeiro inferno bélico. E tem que ser com pulso forte, doa a quem doer, pois acima de tudo está a vida humana que precisa ser sempre preservada. O nosso direito de ir e vir não está sendo respeitado e a nossa vida corre risco permanente. Os bandidos fazem as suas leis, enquanto as criaturas de bem ficam  totalmente desprotegidas, por negligência do poder público. E este estado de coisas não pode continuar. A Colômbia está ai servindo de exemplo...