NÓS, OS DESPROTEGIDOS...
José de Souza Soares
Parece que tem gente ainda inocente neste grave momento que estamos vivendo.
Ao querer justificar apenas como falta de investimento social
nas comunidades carentes, o clima de guerrilha urbana que se instalou
no país. Um argumento frágil que não dá para convencer ninguém.
Muitos sugerem medidas que parecem partir de simples crianças
distantes do cotidiano das grandes cidades. Mas, só quem vive
este dia-a-dia sabe de fato da violência que tomou conta das principais
cidades, e que a realidade
é bem outra.
Que o estado ficou ausente todo este tempo,
não temos dúvida nenhuma,
mas querer nesta altura dos acontecimentos dizer que só medidas
sociais poderão acabar com os tiroteios nas ruas, favelas e praças
da cidade, é querer achar que todos nós somos otários e que acreditamos
em Papai Noel e em Mula Sem Cabeça. Acorda moçada! Isto aqui já
virou Medelim, os cartéis já estão mandando em nossas vidas. Estamos
vivendo uma guerrilha urbana sem precedentes, onde ninguém sairá
ileso mesmo que não tenha ligação com o tráfico de drogas. As
balas perdidas estão ai a cada minuto, mostrando na realidade
a força do crime organizado. Só que tem gente querendo nos convencer
de que a polícia deve trocar beijinhos com os marginais ao invés
de tratá-los com a força bélica que eles merecem.
Será que é certo, o marginal proibir que um
profissional exerça a sua atividade? Que um aluno deixe de freqüentar
as aulas? Que um doente seja impedido de chegar ao posto de saúde?
Que a população ordeira não tenha direito ao lazer? Acho que as
pessoas de bom senso não concordam com este estado de coisa que
se estabeleceu nas grandes e medias cidades brasileiras.
A ocupação social tem que ser feita sim, mas
primeiro é preciso afastar das comunidades toda essa gente perniciosa
que está transformando as cidades num verdadeiro inferno bélico.
E tem que ser com pulso forte, doa a quem doer, pois acima de
tudo está a vida humana que precisa ser sempre preservada. O nosso
direito de ir e vir não está sendo respeitado e a nossa vida corre
risco permanente. Os bandidos fazem as suas leis, enquanto as
criaturas de bem ficam totalmente
desprotegidas, por negligência do poder público. E este estado
de coisas não pode continuar. A Colômbia está ai servindo de exemplo...