14/06/2002
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Os trustes internacionais e as telecomunicações


A Telebrás fez um trabalho incrível pelo desenvolvimento das telecomunicações no Brasil e pelo avanço da tecnologia nacional.   Ela era a maior empresa de capital aberto do mundo, no entendimento corrente era a empresa mais democrática do mundo com seus milhões de acionistas.   Ela não
nasceu, como muitos pensam, nos anos 1970, ela nasceu ao longo do século XX nos milhares de municípios brasileiros que criaram, por sua própria conta, os serviços de telefonia.  O desenvolvimento das telecomunicações brasileiras teve páginas heróicas que ainda não foram registradas pelos
historiadores. Vou contar duas dessas passagens.

A primeira foi em Pelotas, nos anos 1940-1950.  Quando os estrangeiros quiseram tomar conta dos serviços locais de telefonia, os residentes da cidade reuniram-se para, cotisando, tornar-se os acionistas da empresa local e impedir a sua desnacionalização.  Foram de porta em porta, pedindo a
contribuição de cada cidadão.  Por isto, aquela empresa, tomou o nome de Cia Melhoramentos e Resistência e guardou sua autonomia até ser encampada pela Telebras na década de 1970.

A segunda foi a encampação da ITT, filial da maior empresa estadunidense de comunicações, pelo governo do Rio Grande do Sul, no início da década de 1960.   Houve litígio, Corte de Haya, e Leonel Brizola ganhou a parada em todos os tribunais.  Por isto ele é tão odiado pelos "gringos": jamais lhe
perdoaram a encampação de uma das jóias do Império.

O governo FHC, nos seus "8 Anos de Plano Real" destruiu a Telebrás e as conquistas de quase um século do povo brasileiro. Com ela destruiu uma parte da engenharia nacional.   Expropriou nosso patrimônio coletivo.  E quem tinha nas ações da Telebrás, um pequeno patrimônio individual, também foi expropriado.  Sem nenhuma indenização.

Em seu lugar fincou pé o oligopólio, um braço de trustes financeiros mundiais, cujo único interesse é valorizar o capital dinheiro.  Nos jornais de hoje, eles prometem arrochar os devedores, isto é aprofundar o processo de espoliação que vem sendo feito nesse segmento da telefonia.
Multiplicaram os preços, as tarifas locais são altíssimas, e por isto as pessoas se comunicam cada vez menos, cada vez usam menos o telefone porque não conseguem pagar as mensalidades.   As empresas usam o telefone mas repassam aos preços dos produtos que fabricam o seu custo, isto é nos repassam o custo do aumento de tarifas telefônicas.  Pagamos duplamente - no serviço parco que usamos, no preço dos produtos que compramos.

Além do mais esse oligopólio - Telemar, Brasil Telecom, Embratel, ATL, Americel, Telesp, BCI, etc, está absolutamente controlado pelos grandes grupos/trustes internacionais :  Bell South Canada, Worldcom, Telefonica de Espanha, Portugal Telecom, Telecom Italia.  Por isto, as decisões que tomam são do interesse das altas finanças internacionais, e absolutamente divorciadas dos interesses do povo brasileiro.   É responsável por um dos maiores déficits da balança comercial.  Importam cada vez mais de empresas do próprio grupo, endividam-se no exterior sem a menor responsabilidade com
a nação brasileira.  Remetem para o exterior, de forma legal ou disfarçada, lucros, dividendos, royalties, etc, obtidos em mercado oligopolizado que lhes foi cedido, a preços muito módicos, pelos vassalos do Império que nos governam desde 1994. Uma aliança maldita que introduziu aqui o poder de um oligopólio maldito que agora nos ameaça pelos jornais, ameaça cortar os serviços, ameaça retirar-nos os aparelhos e as linhas, ameaça com SPC's e coisas semelhantes.

Se em 8 Anos fizeram isto, podemos imaginar o que farão em 12 Anos !!!!!!

Que triste realidade !

Cordialmente, Ceci.