VANDALISMO E FALTA DE EDUCAÇÃO
A estatua do Padre José de Anchieta, uma obra de arte da artista plástica
Ângela Moure, colocada na Lagoa de Araçatiba, não existe mais. Foi
totalmente destruída.
Ainda tenho na memória a linda festa de sua inauguração, em junho
de 1997, no governo de Luciano Rangel, com a presença de diversas
autoridades e muitos alunos com as bandeiras do Brasil e do Município,
a Banda do Joana , a missa campal realizada pelo Padre Manoel, às
margens da Lagoa de Araçatiba, onde teria ocorrido a Pesca Milagrosa,
motivo do processo da beatificação de Anchieta.
O evento foi uma iniciativa da também extinta Fundação Cultural.
Sinto-me hoje, após o lamentável ocorrido, um ato de vandalismo e
falta de educação, como se estivesse levado uma paulada, afinal dos
nossos muitos sonhos com relação aquela época, o que havia restado
era um lindo monumento e muitas dividas a serem saldadas pois até
a data presente o Jornal A TOCHA não recebeu pelos serviços que prestou
divulgando as atividades culturais daquela Fundação. (E acredito
artistas e diversos meios de comunicação também ficaram a ver navios)
Naquela oportunidade havia sonhos e esperanças de que, através
de uma Fundação, poderiam os nossos artistas terem, não somente, os
aplausos, mais à recompensa financeira por seu trabalho ao longo dos
anos severamente sem reconhecimento.
Padre José de Anchieta que muitos não sabem, foi útil e generoso,
que pacificou e curou índios, que não mediu esforços para ajudar e
se dar, totalmente, em diversas circunstâncias de sua existência,
que com toda a sua sinceridade nunca escondeu sua alegria, nunca ocultou
a sua dor, porem. Anchieta pescador e poeta, sua história, enternece
corações.
No Aurélio o vandalismo é caracterizado por:
1. Ação própria de vândalo.
2. Destruição daquilo que, por sua importância tradicional, pela antiguidade
ou pela beleza, merece respeito.
O termo “merece respeito”, no sentido de
consideração, de importância; fica difícil para um País onde
a educação continua devendo, fazer as pessoas entenderem que aquele
monumento por sua representatividade era de barro mas merecia RESPEITO.
Respeito por sua trajetória, respeito pela pessoa magnífica que foi,
o padre José de Anchieta, respeito pelos ensinamentos que deixou,
respeito pela dignidade de acreditar o quanto é importante a história
de quem ajudou a construir a história da nossa cidade, a história
de nosso pais.
Não foi apenas mais um monumento destruído, culpo também as
pessoas que não estão interessadas em participar de projetos “reais”,
“palpáveis”. Muitos ainda preferem gastar seus reais numa
grande festa como se festas contribuíssem para a educação
de nossas crianças e jovens.
Esta comprovada que a educação somente da escola, para alguns,
não é o suficiente. Ë preciso algo muito mais sólido e urgente
que as autoridades e muitas pessoas não estão interessadas em ajudar
a construir.
Lido com muitas crianças, sei de suas carências e necessidades
com relação à educação e também como elas estão interessadas e agarram
com unhas e dentes as oportunidades extra-escolares que lhes são oferecidas.
(Sou responsável por 40 crianças que estão cursando Desenho
Artístico, uma iniciativa do Jornal A TOCHA e muitos inscritos
aguardando uma oportunidade)
O que falta é conscientização das autoridades, dos vereadores
e de pessoas comuns, transeuntes, que passam e indiferentes fazem
questão de se mostrarem desinteressadas. Afinal elas são de opinião
que não vão consertar o mundo e esquecem que o mundo, de cada um de
nós, é até onde podemos alcançar...e bem ao nosso lado tem sempre
alguém precisando de apoio e de ajuda para receber quem sabe um pouco
mais de educação.
SEM EDUCAÇÃO nenhum monumento ficará por muito tempo em nenhum
lugar.
Acadêmica Deyse Cruz |