Jornal A Tocha Esporte e Cultura
30/10/2001
VANDALISMO E FALTA DE EDUCAÇÃO
VANDALISMO E FALTA DE EDUCAÇÃO
 
A estatua do Padre José de Anchieta, uma obra de arte da artista plástica Ângela Moure, colocada na Lagoa de Araçatiba, não existe mais. Foi totalmente destruída. 
Ainda tenho na memória a linda festa de sua inauguração, em junho de 1997,  no governo de Luciano Rangel, com a presença de diversas  autoridades e muitos alunos com as bandeiras do Brasil e do Município, a Banda do Joana , a missa campal realizada pelo Padre Manoel, às margens da Lagoa de Araçatiba, onde teria ocorrido a Pesca Milagrosa, motivo do processo da beatificação de Anchieta.

O evento foi uma iniciativa da também extinta Fundação Cultural.
Sinto-me hoje, após o lamentável ocorrido, um ato de vandalismo e falta de educação, como se estivesse levado uma paulada, afinal dos nossos muitos sonhos com relação aquela época, o que havia restado era um lindo monumento e muitas dividas a serem saldadas pois até a data presente o Jornal A TOCHA não recebeu pelos serviços que prestou divulgando as atividades  culturais daquela Fundação. (E acredito artistas e diversos meios de comunicação também ficaram a ver navios)

Naquela oportunidade havia sonhos e esperanças de que, através de uma Fundação, poderiam os nossos artistas terem, não somente, os aplausos, mais à recompensa financeira por seu trabalho ao longo dos anos severamente sem reconhecimento.
Padre José de Anchieta que muitos não sabem, foi útil e generoso, que pacificou e curou índios, que não mediu esforços para ajudar e se dar, totalmente, em diversas circunstâncias de sua existência, que com toda a sua sinceridade nunca escondeu sua alegria, nunca ocultou a sua dor, porem. Anchieta pescador e poeta, sua história, enternece corações. 

 No Aurélio o vandalismo é caracterizado por:
1. Ação própria de vândalo.
2. Destruição daquilo que, por sua importância tradicional, pela antiguidade ou pela beleza, merece respeito.

 O termo “merece respeito”, no sentido de consideração, de importância;  fica difícil para um País onde a educação continua devendo, fazer as pessoas entenderem que aquele monumento por sua representatividade era de barro mas merecia RESPEITO. Respeito por sua trajetória, respeito pela pessoa magnífica que foi, o padre José de Anchieta, respeito pelos ensinamentos que deixou, respeito pela dignidade de acreditar o quanto é importante a história de quem ajudou a construir a história da nossa cidade, a história de nosso pais.

Não foi apenas mais um monumento destruído, culpo também as pessoas que não estão interessadas em participar de projetos “reais”, “palpáveis”. Muitos ainda preferem gastar seus reais numa grande festa como se festas  contribuíssem  para a educação de nossas crianças e jovens.

Esta comprovada que a educação somente da escola, para alguns, não é o suficiente. Ë preciso algo muito mais sólido e urgente  que as autoridades e muitas pessoas não estão interessadas em ajudar a construir.

Lido com muitas crianças, sei de suas carências e necessidades com relação à educação e também como elas estão interessadas e agarram com unhas e dentes as oportunidades extra-escolares que lhes são oferecidas. (Sou responsável por  40 crianças  que estão cursando Desenho Artístico, uma iniciativa do Jornal A TOCHA  e muitos inscritos aguardando uma oportunidade)

O que falta é conscientização das autoridades, dos vereadores  e de pessoas comuns, transeuntes, que passam e indiferentes fazem questão de se mostrarem desinteressadas. Afinal elas são de opinião que não vão consertar o mundo e esquecem que o mundo, de cada um de nós,  é até onde podemos alcançar...e bem ao nosso lado tem sempre alguém precisando de apoio e de ajuda para receber quem sabe um pouco mais de educação.

SEM EDUCAÇÃO nenhum monumento ficará por muito tempo em nenhum lugar. 

                                                                       Acadêmica Deyse Cruz