José de Souza Soares*
Aquele velho trem que todas as manhãs chegava ao centro
da cidade de Maricá, apitando e anunciando que novas criaturas
estavam desembarcando para nos visitar, hoje é somente uma saudade
linda que vive em nós que tanto amamos esta terra simples e hospitaleira.
Aquela Maria Fumaça que conduzia vagões com pessoas vindas da cidade
grande e dava oportunidade a tantas outras criaturas que viviam
da venda de doces, salgados e frutas, de repente acabou,
foi impedida de trafegar em seus antigos trilhos construídos pelo
Velho Barão
de Inoã.
Mas,
a sua imagem e a sua importância para nossa cidade foram transformadas
nesta enorme saudade, que não se apaga com o tempo, fazendo a
cada minuto do nosso cotidiano aflorar em forma de pranto, fazendo
com que sintamos que a vida outrora era bem melhor, bem mais bonita,
bem mais inocente e bem mais despreocupada. Mas repleta de felicidade!
E quando ouvimos alguém falar ou escrever sobre aquele
saudoso trem, damos sempre um mergulho no ontem trazendo para
o hoje toda aquela alegria que vivemos num tempo de fartura, de
solidariedade e de amizade pura. O tempo que o trem era o único
meio de transporte e de comunicação de muitas cidades de nosso
país. Um tempo que passou, mas que deixou conosco boas recordações.
E aquele trem, que foi um elo de ligação entre tantas cidades,
ainda vive no sonho dos saudosos e dos defensores da preservação
da memória fluminense, que tem a marca daquela romântica e histórica
Maria Fumaça, deixou de viajar nos trilhos
para viajar somente em nossa lembrança, tendo como ponto
final a Estação Saudade.
Mas que saudade daquele nosso velho trem!!!
*
Jornalista e Escritor