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Por Gerhard Sardo*
Era
quinta-feira, 12h15m ... momento de dúvidas. Soou uma grande explosão,
parecia uma trovoada que persistia em ecoar pelo vale da Serra da
Tiririca que delimita o bairro de Itaipuaçu. Momentos de anciosidade,
nervosismo afloravam entre os moradores locais. Estavam todos atônitos
com o que surgia entre a névoa ... uma grande fumaça negra entre
a floresta. Do outro lado da Pedra do Elefante, no bairro de
Itacoatiara, parecia que caíra uma bomba, quando foi sentido um
estúpido deslocamento de ar. As casas trepidaram e os vidros das
janelas estavam prontos a quebrar. 30 minutos depois do susto surgiram
um, dois, três e quatro helicópteros de resgate. Parecia uma guerra
em pleno Rio de Janeiro. Os curiosos vagavam pelas ruas e jovens
voluntários seguiam em direção ao local para auxiliar as equipes
de resgate. O Corpo de Bombeiros logo chegou. Foi o primeiro grupamento
oficial de resgate a chegar junto ao local do acidente. A dúvida
pairava sobre a identicação da aeronave ... seria um avião ou helicóptero
? Com apoio de montanhistas locais as equipes de resgate alcançaram
os destroços do avião. Que avião ? Ninguém sabia dizer. No
local, muitos destroços e corpos mutilados e carbonizados ...
visceras humanas espalhadas de forma indescritível. Foi um
momento de horror. Nínguém sabia o que fazer ... estavam todos sem
ação. A área atingida pelo Hércules C-130 estava em chamas, com
vários focos de incêndio pela floresta. Os destroços do avião
cobriam toda a Pedra do Elefante. Na vertente para Itaipuaçu,
na trilha principal e na vertente para Enseada do Bananal, bem próximo
ao cume da Pedra da Tartaruga, percebía-se a dimensão
do problema. Eram milhares de objetos, fuselagens e restos humanos espalhados
pela densa vegetação. Uma cena de guerra. Alguns ficaram nervosos,
outros chocados. Houve discussão ... Havia um clima de insegurança
no local. Alguns tentavam chegar aos destroços do avião, quando
foi notado o risco de desabamento da encosta. Um amontoado
do pedras soltas, solo encharcado e nevoeiro parecia indicar um
novo desastre. Todos se afastaram das áreas de risco, O cheiro forte
de combustível indicava a possibilidade de novas explosões ... o
medo era inevitável. As equipes de reportagem se aproximaram. Uma
hora depois as equipes da Aeronáutica chegaram ao topo da Serra
da Tiririca. Evacuaram a região. Foram retirados do local todos
os voluntários e integrantes do Corpo de Bombeiros. Eram os agentes
da Força Aérea Brasileira que chegavam sem parar. Dezenas de militares
armados com fuzis cercaram a região. Interditaram as vias de acesso
e a trilha principal. A sociedade civil foi afastada e não
houve mais qualquer possibilidade de auxílio àqueles que demonstravam
conhecer muito pouco a Serra da Tiririca. O resultado foram perdas
de vidas humanas e degradação ambiental.
* Gerhard Sardo é
jornalista e ambientalista, participou como guia das primeiras
ações de resgate junto ao Corpo de Bombeiros na Pedra do Elefante.
RELEASE
FRENTE DE DEFESA DA SERRA
DA TIRIRICA FAZ
REPRESENTAÇÃO AO MINISTÉRIO
PÚBLICO
PARA APURAR RESPONSABILIDADE
CIVIL
DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA
No dia 01 de
outubro, segunda-feira, será entregue ao Ministério Público Estadual,
na pessoa do promotor de Justiça Marcelo Buhatem (Promotoria de
Interesses Difusos e Direitos Coletivos de Nterói e Maricá), representação
da Frente de Defesa da Serra da Tiririca, assinada pelo jornalista/ambientalista
Gerhard Sardo (membro da coordenação da entidade ecológica) solicitando
a instauração de Inquérito Civil para apurar responsabilidade
cívil da Força Aérea Brasileira (FAB) na degradação ambiental identificada
na área de Mata Atlântica no topo da Pedra do Elefante (área significativa
em espécies ameaçadas de extinção inseridas dentro do Parque Estadual
da Serra da Tiririca) causada pela queda acidental do avião militar
Hércules C-130.
Para o jornalista/ambientalista
Gerhard Sardo, a necessidade de intervenção do MInistério Público
Estadual urge para garantir a recuperação da área que foi degradada,
uma vez que o local é considerado pela ONU parte integrante da Reserva
da Biosfera da Mata Atlâtntica. A importância da ação indenizatória
em benefício do Parque Estadual da Serra da Tiririca, segundo o
ambientalista, é equivalente a queda (mesmo que acidentalmente)
de qualquer aeronave civil ou militar sobre prédio comercial
ou residencial, como a Torre do Rio Sul, em Botafogo,Rio, uma vez
que logo surgiram familíares das vítimas reivindicando reparação
por danos materiais. O ambientalista recorda, ainda, que a região
atingida pelo Hércules C-130 é de domínio público (patrimônio nacional),
o que reforça a necessidade de recuperação do ambiente natural.
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