Entrevista
concedida pelo Dr. Carlos Alberto Barreiros, um dos idealizadores
do método RPG/RPM (Reeducação Postural Global pelo Reequilíbrio
Proprioceptivo Muscular), a Iva Maria Carvalhaes
Iva Maria
– Dr. Barreiros, fale sobre o Curso que vem sendo dado pela
Clínica Barreiros Victoni em parceria com o IBRAFA.
Dr. Barreiros
- O curso é de formação: o profissional sai formado em Reeducação
Postural Global pelo Reequilíbrio Proprioceptivo Muscular. São
2 seminários, cada um de 8 dias, das 9 às 19 horas, no Centro
de Convenções América na Barra – Rio de Janeiro. O curso
consta de uma análise morfofuncional do ser humano. Ou seja, nós
vamos fazer uma análise de toda a funcionalidade do ser humano,
seja muscular, seja esquelética. Vamos também fazer uma análise
do aspecto psico comportamental dele e uma análise funcional dos
órgãos internos e vísceras – é uma visão bem global, bem
abrangente - e, com isso, tratar o paciente com postura e correção.
Posturas tidas como globais são 6 e, posturas analíticas, 34.
O profissional tem 40 posturas para tratamento. E tem uma série
de reequilíbrios para fazer. Ao todo, a formação inteira consta
de mais de 250 procedimentos terapêuticas diferentes. Então o
profissional avalia, chega a um diagnóstico cinesiológico funcional,
faz uma prescrição do tratamento, trata, dá um prognóstico para
o paciente e dá a alta.
Iva Maria
– Quantos profissionais da área de fisioterapia já receberam
treinamento no Brasil?
Dr. Barreiros
- Já foram treinados em todo Brasil mais de 1500 fisioterapeutas
e, no Rio de Janeiro, através do IBRAFA, parceria que começou
em 2000, cerca de 300 profissionais.
Iva Maria
– Os fisioterapeutas estão conscientes da importância do
Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros
- O que os fisioterapeutas estão começando a perceber é que não
importa simplesmente o diagnóstico clínico. Ele precisa realizar
uma análise biomecânica. Precisa realizar o seu próprio diagnóstico
que é o estudo da funcionalidade humana. Nosso objetivo é que
ele passe a avaliar. Na graduação ele aprende a avaliar, só que
a avaliação que ele aprende é praticamente a mesma que um médico
faz, ou seja, o diagnóstico clínico. Então ele aprende a chegar
à mesma avaliação que o médico, ou seja, ao diagnóstico clínico.
E não é esta a nossa função.
Iva Maria
– Quais as vantagens quando se passa a atuar utilizando
o Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros
- Com o Diagnóstico Cinesiológico Funcional ele passa a fazer
um prognóstico que na fisioterapia ainda não existia. O fisioterapeuta
quando começa a tratar nunca sabe direito quando vai parar. A
primeira coisa que o paciente pergunta é se o tratamento é demorado.
E o profissional responde "...bem, não sei, vamos ver..." porque
não tem um bom diagnóstico. Com o Diagnóstico Cinesiológico Funcional
ele diagnostica, dá o prognóstico e assim sabe o momento exato
de dar alta para o paciente.
Iva Maria
– Entendemos também que existe a vantagem, além do menor
tempo de tratamento, de reduzir a utilização de medicamentos?
Dr. Barreiros
- O medicamento é uma prescrição clínica. O médico, com o diagnóstico
clínico, prescreve o medicamento. O fisioterapeuta, avaliando
a funcionalidade que é chamada de patobiomecânica, chega a esse
diagnóstico cinesiológico funcional, trata seu paciente, diminui
o tempo de tratamento, conseqüentemente diminui o tempo de utilização
do medicamento o máximo que for possível.
Iva Maria
– Até porque muitos medicamentos são para tirar a dor, mas
não resolver o que causa a dor... Dr. Barreiros, a resolução do
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, de 1985,
permite que o fisioterapeuta realize o Diagnóstico Cinesiológico
Funcional?
Dr. Barreiros
- Tudo aquilo que fazemos, em primeiro lugar, é sempre de acordo
com o Conselho Federal de Fisioterapia.
Iva Maria
– Já sabemos que ele pode fazer, mas, como o fisioterapeuta
pode chegar a um Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros
– É o que nós estamos ensinando a fazer: uma análise morfofuncional
para chegar a esse diagnóstico cinesiológico. A partir do momento
que o fisioterapeuta souber fazer um bom diagnóstico, tem clareza
no seu prognóstico, ele vai estar mais consciente do seu papel
na sociedade.
Iva Maria
- Essa nova maneira de encarar a fisioterapia pode trazer desentendimentos
com os ortopedistas e a indústria farmacêutica?
Dr. Barreiros
– Num primeiro momento pode haver uma certa rivalidade,
mas o diferencial vai ser a população. A população está vendo
que não está conseguindo uma boa resolutividade. Realmente a população
não sabe direito quando procurar a fisioterapia. Então a partir
do momento que o fisioterapeuta tenta se colocar no mercado com
o conhecimento aprimorado, mais abrangente do ser humano, sabendo
que o ser humano não é só osso e músculo, tem todo um psiquismo,
tem comportamento, tem problemas orgânicos, diagnostica melhor
e trata melhor esse paciente. A população vai começar a buscar
direto o fisioterapeuta. É um processo.
Iva Maria
– RPG é um termo genérico que significa reeducação postural
global. É possível chegar à reeducação de diversas formas: exercícios
e procedimentos? O que o Sr. sugere é que se faça o RPG através
do Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros
– Isso. O objetivo do curso é fazer essa Reeducação Postural
Global através do Reequilíbrio Proprioceptivo
Muscular, ou seja, para reequilibrar o próprio corpo é necessário
o Diagnóstico Cinesiológico Funcional. Chega-se a esse diagnóstico
através de uma análise morfofuncional. É o que propomos através
do nosso método próprio.
Iva Maria
– O Sr. Poderia enumerar as diversas vantagens econômicas
da prática do Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros
– Vendo economicamente é bom para todos os lados. O paciente
melhora mais rápido e o fisioterapeuta, por ter um procedimento
mais especializado, cobra mais, mas em compensação, o convênio
paga menos seções (atendimentos) de fisioterapia. Ao invés do
paciente ir para o convênio e ficar 10, 20 ou 30 seções, ele fica
4 ou 5 e vai embora.
Iva Maria
– O que vem sendo feito para popularizar o Diagnóstico Cinesiológico
Funcional ?
Dr. Barreiros
– A primeira coisa que foi feita foi o 1º Simpósio com o
objetivo de mostrar para os profissionais o que era esse Diagnóstico
Cinesiológico Funcional, porque não era comum fazer esse diagnóstico.
Ele recebia o paciente do médico com o diagnostico clínico. Quando
o fisioterapeuta ia fazer algum exame, fazia o mesmo que o médico
já havia feito. O que estamos mostrando é que temos o nosso exame.
O curso mostra a função do fisioterapeuta, que é preciso fazer
o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, que, através da avaliação
morfofuncional, chega-se a uma avaliação através de uma análise
patobiomecânica, ou seja, patologia mecânica humana, e, daí, ao
diagnostico que é o Cinesiológico Funcional.
Iva Maria
– O papel do fisioterapeuta tende a crescer na sociedade
dessa forma?
Dr. Barreiros
– A terapia, muito cedo, vai se mostrar como um viés extremamente
importante para a população.
Iva Maria
– Até porque hoje estamos muito mais preocupados com a prevenção.
Obrigada Dr. Carlos Barreiros pela entrevista concedida e
um grande abraço.
Dr. Barreiros
– Foi um prazer e estaremos à disposição sempre que necessário.
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