25/09/2001
RPG/RPM

 
Entrevista concedida pelo Dr. Carlos Alberto Barreiros, um dos idealizadores do método RPG/RPM (Reeducação Postural Global pelo Reequilíbrio Proprioceptivo Muscular), a Iva Maria Carvalhaes
 
Iva Maria – Dr. Barreiros, fale sobre o Curso que vem sendo dado pela Clínica Barreiros Victoni em parceria com o IBRAFA.
Dr. Barreiros - O curso é de formação: o profissional sai formado em Reeducação Postural Global pelo Reequilíbrio Proprioceptivo Muscular. São 2 seminários, cada um de 8 dias, das 9 às 19 horas, no Centro de Convenções América na Barra – Rio de Janeiro. O curso consta de uma análise morfofuncional do ser humano. Ou seja, nós vamos fazer uma análise de toda a funcionalidade do ser humano, seja muscular, seja esquelética. Vamos também fazer uma análise do aspecto psico comportamental dele e uma análise funcional dos órgãos internos e vísceras – é uma visão bem global, bem abrangente - e, com isso, tratar o paciente com postura e correção. Posturas tidas como globais são 6 e, posturas analíticas, 34. O profissional tem 40 posturas para tratamento. E tem uma série de reequilíbrios para fazer. Ao todo, a formação inteira consta de mais de 250 procedimentos terapêuticas diferentes. Então o profissional avalia, chega a um diagnóstico cinesiológico funcional, faz uma prescrição do tratamento, trata, dá um prognóstico para o paciente e dá a alta.
Iva Maria – Quantos profissionais da área de fisioterapia já receberam treinamento no Brasil?
Dr. Barreiros - Já foram treinados em todo Brasil mais de 1500 fisioterapeutas e, no Rio de Janeiro, através do IBRAFA, parceria que começou em 2000, cerca de 300 profissionais.
Iva Maria – Os fisioterapeutas estão conscientes da importância do Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros - O que os fisioterapeutas estão começando a perceber é que não importa simplesmente o diagnóstico clínico. Ele precisa realizar uma análise biomecânica. Precisa realizar o seu próprio diagnóstico que é o estudo da funcionalidade humana. Nosso objetivo é que ele passe a avaliar. Na graduação ele aprende a avaliar, só que a avaliação que ele aprende é praticamente a mesma que um médico faz, ou seja, o diagnóstico clínico. Então ele aprende a chegar à mesma avaliação que o médico, ou seja, ao diagnóstico clínico. E não é esta a nossa função.
Iva Maria – Quais as vantagens quando se passa a atuar utilizando o Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros - Com o Diagnóstico Cinesiológico Funcional ele passa a fazer um prognóstico que na fisioterapia ainda não existia. O fisioterapeuta quando começa a tratar nunca sabe direito quando vai parar. A primeira coisa que o paciente pergunta é se o tratamento é demorado. E o profissional responde "...bem, não sei, vamos ver..." porque não tem um bom diagnóstico. Com o Diagnóstico Cinesiológico Funcional ele diagnostica, dá o prognóstico e assim sabe o momento exato de dar alta para o paciente.
Iva Maria – Entendemos também que existe a vantagem, além do menor tempo de tratamento, de reduzir a utilização de medicamentos?
Dr. Barreiros - O medicamento é uma prescrição clínica. O médico, com o diagnóstico clínico, prescreve o medicamento. O fisioterapeuta, avaliando a funcionalidade que é chamada de patobiomecânica, chega a esse diagnóstico cinesiológico funcional, trata seu paciente, diminui o tempo de tratamento, conseqüentemente diminui o tempo de utilização do medicamento o máximo que for possível.
Iva Maria – Até porque muitos medicamentos são para tirar a dor, mas não resolver o que causa a dor... Dr. Barreiros, a resolução do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, de 1985, permite que o fisioterapeuta realize o Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros - Tudo aquilo que fazemos, em primeiro lugar, é sempre de acordo com o Conselho Federal de Fisioterapia.
Iva Maria – Já sabemos que ele pode fazer, mas, como o fisioterapeuta pode chegar a um Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros – É o que nós estamos ensinando a fazer: uma análise morfofuncional para chegar a esse diagnóstico cinesiológico. A partir do momento que o fisioterapeuta souber fazer um bom diagnóstico, tem clareza no seu prognóstico, ele vai estar mais consciente do seu papel na sociedade.
Iva Maria - Essa nova maneira de encarar a fisioterapia pode trazer desentendimentos com os ortopedistas e a indústria farmacêutica?
Dr. Barreiros – Num primeiro momento pode haver uma certa rivalidade, mas o diferencial vai ser a população. A população está vendo que não está conseguindo uma boa resolutividade. Realmente a população não sabe direito quando procurar a fisioterapia. Então a partir do momento que o fisioterapeuta tenta se colocar no mercado com o conhecimento aprimorado, mais abrangente do ser humano, sabendo que o ser humano não é só osso e músculo, tem todo um psiquismo, tem comportamento, tem problemas orgânicos, diagnostica melhor e trata melhor esse paciente. A população vai começar a buscar direto o fisioterapeuta. É um processo.
Iva Maria – RPG é um termo genérico que significa reeducação postural global. É possível chegar à reeducação de diversas formas: exercícios e procedimentos? O que o Sr. sugere é que se faça o RPG através do Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros – Isso. O objetivo do curso é fazer essa Reeducação Postural Global através do Reequilíbrio Proprioceptivo Muscular, ou seja, para reequilibrar o próprio corpo é necessário o Diagnóstico Cinesiológico Funcional. Chega-se a esse diagnóstico através de uma análise morfofuncional. É o que propomos através do nosso método próprio.
Iva Maria – O Sr. Poderia enumerar as diversas vantagens econômicas da prática do Diagnóstico Cinesiológico Funcional?
Dr. Barreiros – Vendo economicamente é bom para todos os lados. O paciente melhora mais rápido e o fisioterapeuta, por ter um procedimento mais especializado, cobra mais, mas em compensação, o convênio paga menos seções (atendimentos) de fisioterapia. Ao invés do paciente ir para o convênio e ficar 10, 20 ou 30 seções, ele fica 4 ou 5 e vai embora.
Iva Maria – O que vem sendo feito para popularizar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional ?
Dr. Barreiros – A primeira coisa que foi feita foi o 1º Simpósio com o objetivo de mostrar para os profissionais o que era esse Diagnóstico Cinesiológico Funcional, porque não era comum fazer esse diagnóstico. Ele recebia o paciente do médico com o diagnostico clínico. Quando o fisioterapeuta ia fazer algum exame, fazia o mesmo que o médico já havia feito. O que estamos mostrando é que temos o nosso exame. O curso mostra a função do fisioterapeuta, que é preciso fazer o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, que, através da avaliação morfofuncional, chega-se a uma avaliação através de uma análise patobiomecânica, ou seja, patologia mecânica humana, e, daí, ao diagnostico que é o Cinesiológico Funcional.
Iva Maria – O papel do fisioterapeuta tende a crescer na sociedade dessa forma?
Dr. Barreiros – A terapia, muito cedo, vai se mostrar como um viés extremamente importante para a população.
Iva Maria – Até porque hoje estamos muito mais preocupados com a prevenção. Obrigada Dr. Carlos Barreiros pela entrevista concedida e um grande abraço.
Dr. Barreiros – Foi um prazer e estaremos à disposição sempre que necessário.