27/12/2001
Recebido de Sergio Mesquita - mesquita@redebrasil.tv.br
REDAÇÃO

Já que a redação passou a ser obrigatória no vestibular, o Fantástico resolveu fazer, ao vivo, um teste com os melhores vestibulandos de seis cidades brasileiras. Os estudantes selecionados foram:

Recife

Simone Maria da Silva Lima - 20 anos
Diane de Oliveira Lima - 17 anos

Rio de Janeiro

Leonardo Calabrese - 18 anos
Maria Lima Calaes - 18 anos

São Paulo

Guilherme Ponce de Leon Leno - 17 anos
Lígia Lemos Carriel - 17 anos

Brasília

Rafael Oliveira Ximenes - 17 anos
Helena de Souza Malnati - 18 anos

Porto Alegre

Willian Lorenzi - 17 anos
Sedinei Aloy Ayala - 17 anos

Salvador

Carolina Campbell de Barros - 17 anos
Betânia da Silva Miguel - 17 anos

Eles tiveram 50 minutos para fazer uma dissertação com o tema "Por que a redação deve ser obrigatória no vestibular?". Uma banca formada pelos escritores Antonio Torres, Ana Miranda e Joel Rufino analisou as redações e escolheu a da estudante carioca Maria Lima Calaes como a melhor de todas. Confira na íntegra o texto:

Para acabar com a passividade

Fez-se necessário um analfabeto ser aprovado no vestibular para que se discutisse – ainda que superficialmente – a importância da escrita para um povo. Mas o assunto veio à tona, e é hora de agarrá-lo.

O ser humano não constitui uma máquina. Por mais que seu trabalho se resuma a apertar um parafuso, o homem é um ser pensante que está inserido numa sociedade. A sociedade, por sua vez, possui uma cultura. O homem que escreve tem maiores possibilidades de influir nessa cultura, contribuindo para sua transformação e reprodução.

A mesma coisa se verifica no que tange a questão da cidadania. Em um país como o Brasil, principalmente, em que são negados à população direitos básicos, a escrita constitui importantíssimo instrumento de participação política e cidadã.

Ler e escrever fazem parte do pensar. Uma sociedade que nega esses instrumentos aos seus homens explicita seu temor perante seres política e culturalmente ativos. Apresenta-se com uma comunidade estagnada, em que um pequeno grupo de privilegiados dita as regras de acordo com seus interesses.

É de fato inacreditável que o Ministério da Educação fosse até então complacente com a não-obrigatoriedade da redação nos vestibulares das universidades particulares. Está aí um reflexo dos cidadãos que vimos formando. Felizmente, o primeiro passo foi dado – pode ser uma semente plantada para o fim da passividade.

Maria Lima Calaes