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Já que a redação passou a ser obrigatória
no vestibular, o Fantástico resolveu fazer, ao vivo, um teste
com os melhores vestibulandos de seis cidades brasileiras. Os estudantes
selecionados foram:
Recife
Simone Maria da Silva Lima -
20 anos
Diane de Oliveira Lima - 17 anos
Rio de Janeiro
Leonardo Calabrese - 18 anos
Maria Lima Calaes - 18 anos
São Paulo
Guilherme Ponce de Leon Leno
- 17 anos
Lígia Lemos Carriel - 17 anos
Brasília
Rafael Oliveira Ximenes - 17
anos
Helena de Souza Malnati - 18 anos
Porto Alegre
Willian Lorenzi - 17 anos
Sedinei Aloy Ayala - 17 anos
Salvador
Carolina Campbell de Barros -
17 anos
Betânia da Silva Miguel - 17 anos
Eles tiveram 50 minutos para fazer
uma dissertação com o tema "Por que a redação deve ser obrigatória
no vestibular?". Uma banca formada pelos escritores Antonio Torres,
Ana Miranda e Joel Rufino analisou as redações e escolheu a da estudante
carioca Maria Lima Calaes como a melhor de todas. Confira na íntegra
o texto:
Para acabar com a passividade
Fez-se necessário um analfabeto ser
aprovado no vestibular para que se discutisse – ainda que
superficialmente – a importância da escrita para um povo.
Mas o assunto veio à tona, e é hora de agarrá-lo.
O ser humano não constitui uma máquina.
Por mais que seu trabalho se resuma a apertar um parafuso, o homem
é um ser pensante que está inserido numa sociedade. A sociedade,
por sua vez, possui uma cultura. O homem que escreve tem maiores
possibilidades de influir nessa cultura, contribuindo para sua transformação
e reprodução.
A mesma coisa se verifica no que
tange a questão da cidadania. Em um país como o Brasil, principalmente,
em que são negados à população direitos básicos, a escrita constitui
importantíssimo instrumento de participação política e cidadã.
Ler e escrever fazem parte do pensar.
Uma sociedade que nega esses instrumentos aos seus homens explicita
seu temor perante seres política e culturalmente ativos. Apresenta-se
com uma comunidade estagnada, em que um pequeno grupo de privilegiados
dita as regras de acordo com seus interesses.
É de fato inacreditável que o Ministério
da Educação fosse até então complacente com a não-obrigatoriedade
da redação nos vestibulares das universidades particulares. Está
aí um reflexo dos cidadãos que vimos formando. Felizmente, o primeiro
passo foi dado – pode ser uma semente plantada para o fim
da passividade.
Maria Lima Calaes
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