Jornal EXATO-OUTUBRO DE 2001
21/10/2001
AOS PÉS DO ELEFANTE
PRECISAMOS DE CONSTRUTORES DE CATEDRAIS

Reza a lenda que, há mil anos atrás, um viajante chegou numa cidade e viu três homens assentando tijolos.  Curioso, perguntou ao primeiro o que ele estava fazendo e obteve uma resposta cercada de enfado: "não vê que estou assentando tijolos?"  Não satisfeito, dirigiu-se ao segundo e fez a mesma pergunta.  A resposta foi um pouco mais ampla: "estou fazendo uma parede".  Quando indagou a mesma coisa do terceiro, este respondeu com entusiasmo: "estou construindo uma catedral!" O terceiro homem era diferente dos outros pelo fato de que conseguia ligar o seu cotidiano ao projeto maior, ao objetivo final de seu trabalho.  Isto lhe permitia, claro, entender melhor o que está fazendo e a não se preocupar muito com o lado pequeno das coisas.
Lembro-me desta lenda todas as vezes em que encontro em Itaipuaçu pessoas voltadas para uma ação positiva, coletiva e planejada em benefício da comunidade, numa preocupação com o futuro.  Pessoas que participam decisivamente da transformação do meio em que vivem " não a transformação imediata, mas a mudança qualitativa, que deixa para a posteridade um mundo melhor do que o recebido " e sabem que esta conquista é a grande vitória de um ser humano.  Pessoas para quem o importante é que as coisas aconteçam, sem vaidades e auto-promoção.
São muitos os construtores de catedral em Itaipuaçu, cada vez mais conscientes da necessidade de intervir firmemente nos assuntos da comunidade.  Busco ouvi-las no cotidiano da Superintendência, pois com elas conto para afirmar os acertos e corrigir os possíveis erros.  O cargo exige um constante diálogo com as verdadeiras lideranças de Itaipuaçu, as que se impõem por sua consciência e correção, com as quais me identifico e trabalho.  Sou um mero delegado de uma administração que propõe parceria na condução da coisa pública, sem ambições pessoais maiores que a consciência do dever cumprido.  Não vou me deter em polêmicas mesquinhas, em assuntos que não tragam proveito para a comunidade.
Os meros assentadores de tijolos irão sempre se atribuir uma importância descabida e desprezar o esforço plural, que não lhe trará vantagens.  Ligados em fatos menores, tentarão evitar o novo viés do rumo que o bairro está tomando, no que diz respeito às suas mudanças estruturais. Mas as coisas boas vão continuar acontecendo, com toda certeza.
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Quem explodiu as torres gêmeas de Nova Iorque e o Pentágono em Washington não foi um bando de muçulmanos fanáticos. Foi um grupo de terroristas políticos que, se islamitas, não professavam corretamente seu credo religioso, assim como outros terroristas políticos de outros credo também não o fazem. Religiões e religiosos buscam a paz, principalmente nas chamadas "religiões do livro": judaísmo, cristianismo e islamismo, que têm na Bíblia um de seus mais importantes textos sagrados. Infelizmente a tragédia americana está ensejando, oitocentos anos depois, uma nova cruzada contra os "infiéis". Sabemos como estas coisas começam mas nunca temos certeza de como terminarão.
A grande tragédia é não ter a humanidade aprendido a convivência entre diferentes. Tons de pele diversos, assim como perspectivas culturais, econômicas e políticas diversas já explicaram " sem justificar " muitos crimes. Não há desculpa para o atentado de Nova Iorque. Mas também não haverá desculpas para uma satanização de povos só porque professam o islamismo como sua fé.