José
de Souza Soares*
Já está na hora de o deficiente físico ser olhado por uma
outra ótica, visto que sua participação na sociedade tem sido
nos últimos tempos efetiva e produtiva em todos os segmentos.
Não cabe mais aquela idéia de que o deficiente tem que viver isolado
e afastado das atividades normais do nosso cotidiano.
Era muito comum quando uma pessoa adquiria uma doença ou
se acidentava e em decorrência disso se tornava um deficiente,
logo era aposentado e eliminado de qualquer atividade, pois passava
a ser encarado como uma pessoa que não tinha condições de fazer
mais nada na vida. Alguns ficavam em cadeiras de rodas o tempo
todo olhando a vida passar, e outros partiam, com alguma ajuda,
para viver na rua na condição de pedinte, o que apenas lhes restavam.
Pobre coitado! A frase que sempre se ouvia.
Mas novas técnicas surgiram, juntamente com novos tratamentos,
além do grande avanço que teve legislação sobre o assunto. Com
isso, esta mentalidade tem mudado bastante. E hoje o que se vê
são diversos deficientes físicos trabalhando, estudando e participando
normalmente do cotidiano sem constrangimento nenhuma.
Só que na vida nem tudo são flores, embora tenha melhorado
um pouco, certos segmentos ainda não perceberam que muita coisa
mudou no que concerne ao deficiente físico. O fácil acesso, por
exemplo, é obrigatório pela legislação em vigor, para que estas
pessoas possam ter uma melhor locomoção sem precisar de ajuda
de ninguém. Porém, as casas de espetáculos, os Prédios residências,
as repartições públicas e Hotéis não estão cumprindo a lei, o
que tem dificultado essas pessoas de trabalharem, estudarem e
se divertirem. O turismo na maioria das vezes é inacessível para
os deficientes fiscos, visto que os Hotéis na sua maioria não
oferecem condições de hospedagem aos deficientes
dado a inúmeras barrreiras arquitetônicas existentes que impedem
o acesso deles a esses estabelecimentos.
Fazer turismo para eles é sempre muito difícil, embora
sabendo que um número enorme desses deficientes tem boa condição
financeira e investe bastante neste setor pelo menos uma vez
por ano. Mas muitas das vezes deixam de gozar deste direito por
encontrarem inúmeras dificuldades no acesso aos diversos locais
turísticos e à Hotéis e Pousadas.
Os Hotéis Fazenda, por exemplo, hoje muito em moda, no
intuito de preservar o patrimônio histórico, não eliminam as barreiras
arquitetônicas, tornando quase inacessível a hospedagem de pessoas
deficientes em seus estabelecimentos. Tem alguns que mesmo com o uso de cadeira de rodas, não conseguem
uma boa locomoção, visto que as passarelas são em grande
maioria de pisos irregulares, impedindo que eles possam transitar
pelas dependências normalmente. A maioria dos
Prédios contam, também, com escadas elevadas e só mesmo
com a ajuda de outras pessoas o deficiente consegue chegar ao
local desejado. Falta então o sentido de liberdade, o que é importantíssimo
para a pessoa portadora de deficiência física.
Entretanto, está na hora do setor hoteleiro prestar mais
atenção a este segmento ativo e importante de nossa sociedade,
visto que essas pessoas rendem muito bem financeiramente para
seus estabelecimentos, bastando apenas adequar suas instalações
para que elas possam gozar de todas as maravilhas que oferecem
as férias num Hotel Fazenda.
*Jornalista
e Escritor