20/09/2001
COM DIREITO AO TURISMO

                                                                               José de Souza Soares* 

                                                                                        Já está na hora de o deficiente físico ser olhado por uma outra ótica, visto que sua participação na sociedade tem sido nos últimos tempos efetiva e produtiva em todos os segmentos. Não cabe mais aquela idéia de que o deficiente tem que viver isolado e afastado das atividades normais do nosso cotidiano.

                                           Era muito comum quando uma pessoa adquiria uma doença ou se acidentava e em decorrência disso se tornava um deficiente, logo era aposentado e eliminado de qualquer atividade, pois passava a ser encarado como uma pessoa que não tinha condições de fazer mais nada na vida. Alguns ficavam em cadeiras de rodas o tempo todo olhando a vida passar, e outros partiam, com alguma ajuda, para viver na rua na condição de pedinte, o que apenas lhes restavam. Pobre coitado! A frase que sempre se ouvia.

                                          Mas novas técnicas surgiram, juntamente com novos tratamentos, além do grande avanço que teve  legislação sobre o assunto. Com isso, esta mentalidade tem mudado bastante. E hoje o que se vê são diversos deficientes físicos trabalhando, estudando e participando normalmente do cotidiano sem constrangimento nenhuma.

                                          Só que na vida nem tudo são flores, embora tenha melhorado um pouco, certos segmentos ainda não perceberam que muita coisa mudou no que concerne ao deficiente físico. O fácil acesso, por exemplo, é obrigatório pela legislação em vigor, para que estas pessoas possam ter uma melhor locomoção sem precisar de  ajuda de ninguém. Porém, as casas de espetáculos, os Prédios residências, as repartições públicas e Hotéis não estão cumprindo a lei, o que tem dificultado essas pessoas de trabalharem, estudarem e se divertirem. O turismo na maioria das vezes é inacessível para os deficientes fiscos, visto que os Hotéis na sua maioria não oferecem condições de hospedagem aos deficientes dado a inúmeras barrreiras arquitetônicas existentes que impedem o acesso deles a esses estabelecimentos.

                                          Fazer turismo para eles é sempre muito difícil, embora sabendo que um número enorme desses deficientes tem boa condição financeira e investe bastante neste setor  pelo menos uma vez por ano. Mas muitas das vezes deixam de gozar deste direito por encontrarem inúmeras dificuldades no acesso aos diversos locais turísticos e à Hotéis e Pousadas.

                                          Os Hotéis Fazenda, por exemplo, hoje muito em moda, no intuito de preservar o patrimônio histórico, não eliminam as barreiras arquitetônicas, tornando quase inacessível a hospedagem de pessoas deficientes em seus estabelecimentos. Tem alguns que mesmo com o uso de cadeira de rodas, não conseguem uma boa locomoção, visto que as passarelas são em grande maioria de pisos irregulares, impedindo que eles possam transitar pelas dependências normalmente. A maioria dos Prédios contam, também, com escadas elevadas e só mesmo com a ajuda de outras pessoas o deficiente consegue chegar ao local desejado. Falta então o sentido de liberdade, o que é importantíssimo para a pessoa portadora de deficiência física.

                                           Entretanto, está na hora do setor hoteleiro prestar mais atenção a este segmento ativo e importante de nossa sociedade, visto que essas pessoas rendem muito bem financeiramente para seus estabelecimentos, bastando apenas adequar suas instalações para que elas possam gozar de todas as maravilhas que oferecem as férias num Hotel Fazenda.

                                                                                     *Jornalista e Escritor