17/09/2001
ATENTADO
Atendo-se ao contexto histórico-político, parece me a posição mais sensata sobre o assunto. Leiam e reflitam.
Flávio Leão Pinheiro.


"A reconciliação e a reconstrução somente serão possíveis quando os povos estiverem preparados para a cura, para ouvir, tentar compreender e respeitar o modo de ser de outros povos. A diversidade sustentável e pacífica e o desenvolvimento econômico são impossíveis sem a inclusão global." Declaração de um curandeiro índigena feita no Parlamento sul-africano (Cape Town, 1998.)

"É enganosa, e potencialmente perigosa, a tentativa de descaracterizar o
contexto histórico e político em que se situam os ataques ocorridos nos EUA, rotulando-os como "inexplicáveis atos de puro fanatismo". As trágicas e injustificáveis perdas de vidas americanas foram precedidas por igualmente trágicas e injustificáveis perdas de vidas palestinas, iranianas, africanas etc. Caso as lideranças americanas optem por adotar a versão de que agressão sofrida foi um ato imotivado de insanidade, em vez de um ato perverso de retaliação, correrão o sério risco de desassociar o efeito de sua causa, com o que não terão como alterá-la.

"O século recém-inaugurado mandou, assim, um sinal à nação mais poderosa do mundo e que continuará a sê-lo pelo futuro previsível alertando-a de que o tempo de hoje não tem mais lugar para os usos de ontem. Que num mundo globalizado, integrado pelo comércio e pelas finanças e interligado pela tecnologia, as linhas divisórias entre norte e sul, entre brancos e não-brancos, entre incluídos e excluídos continuam a existir mas podem ser transpostas no espaço de um minuto, sem aviso prévio e sem qualquer cerimônia."

A distância que separa o 11 de setembro de 1973, em que o presidente
Allende, eleito pelo voto popular chileno, foi deposto e morto com o apoio dos EUA, do 11 de setembro de 2001, em que o Pentágono foi alvejado e deixado em chamas é muito maior do que meros 28 anos: é a distância de um século passado para um novo; de um mundo em que a negociação e o diálogo eram uma concessão dos fortes, para um mundo em que o respeito mútuo tornou-se em necessidade de sobrevivência, para todos."

Trechos do artigo do Prof. Eduardo Melin.