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"A reconciliação e a reconstrução somente serão possíveis quando
os povos estiverem preparados para a cura, para ouvir, tentar compreender
e respeitar o modo de ser de outros povos. A diversidade sustentável
e pacífica e o desenvolvimento econômico são impossíveis sem a inclusão
global." Declaração de um curandeiro índigena feita no Parlamento
sul-africano (Cape Town, 1998.)
"É enganosa, e potencialmente perigosa, a tentativa de descaracterizar
o
contexto histórico e político em que se situam os ataques ocorridos
nos EUA, rotulando-os como "inexplicáveis atos de puro fanatismo".
As trágicas e injustificáveis perdas de vidas americanas foram precedidas
por igualmente trágicas e injustificáveis perdas de vidas palestinas,
iranianas, africanas etc. Caso as lideranças americanas optem por
adotar a versão de que agressão sofrida foi um ato imotivado de
insanidade, em vez de um ato perverso de retaliação, correrão o
sério risco de desassociar o efeito de sua causa, com o que não
terão como alterá-la.
"O século recém-inaugurado mandou, assim, um sinal à nação mais
poderosa do mundo e que continuará a sê-lo pelo futuro previsível
alertando-a de que o tempo de hoje não tem mais lugar para os usos
de ontem. Que num mundo globalizado, integrado pelo comércio e pelas
finanças e interligado pela tecnologia, as linhas divisórias entre
norte e sul, entre brancos e não-brancos, entre incluídos e excluídos
continuam a existir mas podem ser transpostas no espaço de um minuto,
sem aviso prévio e sem qualquer cerimônia."
A distância que separa o 11 de setembro de 1973, em que o presidente
Allende, eleito pelo voto popular chileno, foi deposto e morto com
o apoio dos EUA, do 11 de setembro de 2001, em que o Pentágono foi
alvejado e deixado em chamas é muito maior do que meros 28 anos:
é a distância de um século passado para um novo; de um mundo em
que a negociação e o diálogo eram uma concessão dos fortes, para
um mundo em que o respeito mútuo tornou-se em necessidade de sobrevivência,
para todos."
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